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Rock on Stage: "Tales Of The Dark Cult " entre os melhores lançamentos nacionais do ano de 2015.

RATTLE citado entre os melhores lançamentos nacionais do ano de 2015!! "No lado do Thrash Metal então é quase um ultraje citar alg...

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

"Tales Of The Dark Cult": Review no Rock On Stage


Rattle - Tales Of The Dark Cult

11 Faixas - Shinigami Records - 2015

    Os baianos do RATTLE participaram em 2012 da Hellstouch Coletânea (leia resenha) da gravadora Shinigami Records e foram os vencedores de uma votação feita pelo público entre as doze bandas participantes. Como prêmio, a gravadora iria editar e distribuir seu debut cd, cujo título é Tales Of The Dark Cult, que foi gravado no Revolusom Studio em Salvador/BA por Marcos Franco ( que já trabalhou com Confiteor, Malefactor e Behavior ), que também é responsável pela mixagem e a masterização, que foram realizadas entre 2013 e 2014.

    Na parte lírica, o quarteto formado por Val Oliveira nos vocais, Henrique Coqueiro na guitarra, Daniel Iannini no baixo e Eric Dias na bateria, criou para Tales Of The Dark Cult letras inspiradas nos universos literários cinematográficos, de Hq´s de Horror e Ficção Científica de nomes como José Mojica Marins ( o nosso Zé do Caixão ), Stephen King, Stanley Kubrick, H. P. Lovercrat, Alan Moore, Sam Raimi, Jack Kirby, Gene Roddenberry, Edgar Alan Poe, John Carpenter e tantos outros.

    Tanto a capa, que presta uma homenagem aos quadrinhos da EC Comics destacando o sacrifício aos grandes antigos ( como nas capas das histórias de H.P. Lovercrat ), quanto os encartes foram criados e desenhados pelo vocalista Val Oliveira e inspirados nas obras destes autores citados. Dito isso, vou aprofundar mais detalhadamente nas onze canções de Tales Of The Dark Cult, que é aberto com The Embodiment Of Evil, uma reverência ao personagem Zé do Caixão ( e participação do mesmo ) com sua sombria narrativa inicial, que traz o feroz Death/Thrash Metal do quarteto em riffs cortantes e intensos, que são somados a vocais de expressiva fúria e a uma aniquilação oriundas da bateria e do baixo.

    A segunda é The End, onde após algumas eficientes evoluções instrumentais, os baianos partem para um Thrash Metal rápido e dilacerante, que te convida a cantar seu refrão com Val Oliveira ( que vocaliza com muita agressividade ) e a banguear freneticamente durante sua execução técnica e cativante. Com versos típicos de companhias militares quando em treinamento, Semper FI ataca com muita garra em um andamento acelerado de riffs implacáveis na guitarra de Henrique Coqueiro e com vocais raivosos, que te implicam a agitar em sua audição ( mesmo em sua casa ). Confira também com atenção a destrutiva linha que o Rattle aplica mais ao final da música e me fale senão estamos ou não diante de uma sonzeira.

    Para Call Of Duty, faixa inspirada na HQ Área de Segurança Gorazde de Joe Sacco ( sobre a Guerra da Bósnia ), o quarteto nos envia uma matadora composição, que é daquelas para martelar na cabeça e não deixar pedra sobre pedra. Confirme esta afirmação ao perceber seus vigorosos riffs de guitarra feitos com primor por Henrique Coqueiro ou os seus vocais guturais sempre flamejantes de Val Oliveira e do convidado Anton Naberius do Eternal Sacrifice.

    E o caos sem fronteiras de Tales Of The Dark Cult prossegue espancando nossos ouvidos com Operation: Exterminate!, onde a dupla da anterior ( Val Oliveira e Anton Naberius ) cantam em um ambiente simplesmente ceifador com versos inspirados no filme O Exterminador do Futuro. Entretanto, a banda surpreende com inversão de andamento do Thrash para um Heavy Metal e no final que teve aqueles toques da trilha conhecidíssima do filme ( passando a ideia de que os exterminadores estivessem perambulando pela Terra ).

    Depois temos Whispers, que continua a desferir o violento ímpeto dos baianos em uma velocidade impressionante, que produz no ouvinte uma imensa vontade de entrar em um 'circle pit' ( ou roda se preferir ), graças à hecatombe sonora que somos expostos, afinal, a combinação de vocais, solos de guitarras, baixo e bateria desenfreados estão extremamente poderosos. Mas, o Rattle realiza uma guinada no ritmo da canção e a torna mais sombria, antes de retomar com sua fúria incontida. Com Last Standing Man, o Rattle 'fuzila' nossos ouvidos com os brutais solos de guitarra feitos por Henrique Coqueiro em um ritmo colérico inabalável e que não para em nenhum instante sequer, que liberam o vocalista para despejar toda a agressividade que deseja mostrar em seus versos, enfim, uma 'paulada' que nos conquista fácil.

    Pay To Enter, Pray To Exit também já foi título do filme de 1981 de Tobe Hooper ( para os cinéfilos, ele é o mesmo diretor do O Massacre da Serra Elétrica ) e após a sua sinistra introdução somos conduzidos aos competentes solos de Henrique Coqueiro e aos vocais urrados de Val Oliveira produzindo outro momento marcante deste Tales Of The Dark Cult, que te causa a ideia de migrar para a roda o quanto antes e o Rattle volta a impressionar significativamente nas viradas de andamento realizadas nesta canção, cortesia do competente eficaz baterista Eric Dias e do baixista Daniel Iannini.
 

    Com um diálogo que traz a aura de suspense da próxima canção, a Hell Of The Living Dead, os baianos nos exibem uma criação de estilo incansável em sua impactante linha instrumental Old School, que é uma verdadeira avalanche sonora e cujos vocais são divididos com maestria entre o convidado Júlio César ( Metropolis / The Endless Fall ) e Val Oliveira e certamente ficarão na sua memória.

    Promovendo um interlúdio antes do fim, Insomnia ( The Sleep Of Reanson Produces Monsters ) conta com linhas orquestradas concebidas pelo excelente baixista Daniel Iannini e pelo violinista Vítor Moares, que dão a sua obscura forma, que se liga a The Dark Cult, que se apresenta mais cadenciada e com os vocais de Lord Vlad do Malefactor junto a Val Oliveira elevando a categoria da canção. É gratificante quando o Rattle proporciona algumas alterações no ritmo da música e solta seu rolo compressor deixando mais veloz e mais esmagadora cada um de seus mais de oito formidáveis minutos, com direito a riffs eletrizantes, bateria voraz e baixo destroçador.

    No release do cd está escrito: "Tales Of The Dark Cult - peso, técnica e diversidade lírica", bem após ouvir o álbum posso acrescentar seguramente: vontade, garra, habilidade e capacidade em elaborar um dos melhores discos de Thrash/Death Metal que tive a oportunidade de ouvir em 2015, que faço votos para que você o conheça o quanto antes, que fatalmente você curtirá logo em sua primeira audição.
Nota: 10,0.

Rock On Stage (23/012/2015)

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